Enquanto escrevo esse texto, ouço
Teatro Mágico e vem aquela avalanche de lembranças boas de um tempo que não
volta mais, aí também vem a insegurança, o mini pânico de ter 24 anos e uma
terrível crise que no próximo ano serão 25.
É aquela velha história que ouvi
da minha avó, mãe, irmãs e que com certeza meus filhos ouvirão de mim. Sim, é
verdade, os amigos (assim como eu cresceram) vão se casar, não vão ter
tanto tempo de passar a noite jogando papo fora, as festas de aniversário
começam a ficar menos emocionantes sem um banho de ovos na saída da escola, sem
as festinhas surpresas ou aquela ligação que te faz chorar o resto do ano.
E pra isso não tem remédio, não
adianta espernear, chamar a mãe ou a irmã mais velha para te ajudar, esqueceu,
você já tem 24 anos Ana! Estamos sem tempo para o Show da Xuxa (aliás ela é
loira, coisa que você já está bem perto disso, rs) ou as historinhas e músicas
fofas do Patati e Patatá ou Galinha Pintandinha, que na sua época era um
‘Atirei o pau no gato’ e olhe lá!
Mas, mesmo depois dessa crise de
quem acaba de ter a noção que a sua idade equivale a quase 1/4 de século (isso
é muiiiiito tempo), me transbordo de felicidade, porque tem tantas coisas boas
que o tempo trás, que não trocaria por todas as delícias dos meus 15 anos.
Nesse tempo, descobri que algumas
amizades você vai usufruir verdadeiramente até o centenário.
Que amor de Pai e Mãe, dói. É
demais, intenso, indescritível e que sim, eles estavam certos o tempo todo.
Que os ‘nãos’ da vida realmente
não matam, mas ensinam muito mais que todos os ‘sins’ juntos.
E que as escolhas corretas só
acontecem quando você está preparada emocionalmente, espiritualmente e com o
coração tranquilo!
Desejo mesmo, que o sorriso
cresça dia a dia, que o colo dos amigos estejam disponíveis, o abraço dos meus
pais esperando por mim (impreterivelmente), Deus na direção de tuuuuuudo, as
minhas irmãs completando a alegria dos meus dias, que sempre se encerram com as
nossas risadas no sofá da sala (mas nem me importaria se estivéssemos
casadinhas e isso acontecesse ocasionalmente, afinal, essa família está
precisando de algumas figuras masculinas, rs).
Que a vida seja linda, exatamente
assim, como sempre foi! Tudo no seu tempo, sem pressa e aproveitando cada vento
que bate no rosto, e que eu possa senti-lo até quando nesse rosto, tenham
muitas rugas e meus netos peçam pra que eu repita tudo isso, sentados aos pés
de uma cadeira de balanço.
Bem vinda Ana, esse é o tempo do
seu milagre!

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