domingo, 28 de fevereiro de 2010

'Ao inverso'

Tem dias que são regras.
Tem tardes que são um cochilo depois do almoço.
Tem noites que servem pra (re)pensar.
Têm baladas que acabam como um ‘desperdício de maquiagem’.
Tem amigos que são irmãos.
Tem irmão que é apenas família.
Tem namoros que acabam como experiência.
Tem casos que terminam como amores.
Tem sonhos que são reais.
Tem realidades, que nem foram sonhadas.
Tem sono que é cansaço.
Tem cansaço que é puro tédio.
Tem minuto, que são apenas 60 segundos.
Têm segundos que são eternos.
Tem pessoas que são apenas um foto 3x4.
Tem um papel qualquer, que se torna a melhor companhia.
Tem atos que convém.
Tem conveniências insanas.
Tem felicidade que é teoria.
Tem alegria que é rotina.
Tem sorriso que é condição.
Tem abraço que é reconstrução.
Tem olhar que é diálogo.
Tem conversas que são monólogos.
Tem caixinhas de surpresas, que são óbvias.
Tem certezas que nos surpreendem.
Tem coisas que vem prontas.
Tem outras que a gente inventa.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

'Passos distraídos'


Hoje voltando pra casa depois de um dia totalmente previsível, decidi mudar um pouco e não quis permitir que ele terminasse como os outros.
Deixei de lado o ônibus e andei boa parte do caminho, com fones no ouvido e o pensamento longe, longe...
Só depois de alguns minutos de caminhada me dei conta, que estava contando os passos, já havia contado centenas deles, e não tinha percebido.
E isso me fez pensar, sobre coisas que já vinha remoendo os meus dias, mas que por vezes lutei pra não lembrar, será ,que assim como a contagem distraída dos passos, oportunidades estavam passando por mim, e eu despercebida não enxerguei ou não quis enxergar?
Assim como se eu tivesse perdido a conta, eu poderia voltar ao início do trajeto e refazê-la, mas com as oportunidades perdidas pode-se fazer o mesmo?
Há vezes que me sinto com os olhos vedados e ouvidos permanentemente com fones no volume máximo, como se tivesse andando sempre assim, como hoje, distraída!
O que muito me assusta não é só o fato de estar contando os passos, é que antes eu conseguia enxergar e pisar sobre as flores que estavam em meu caminho, engraçado, algumas vezes escolhia as flores do dia, variavam de acordo com o meu humor, ou melhor, na verdade eu só variava as flores, o meu humor era o mesmo, e agora é ele que me assusta.
Desejo ainda que distraídos, passos em meio às flores, sempre coloridas e com algumas borboletas voando alto, daquelas que eu acompanhava o vôo com os olhos e me imaginava tão livre quanto elas.
Desejo mais, quero vento forte no rosto, daqueles que nos impedem de permanecer com os olhos abertos.
Desejo, flores coloridas no caminho, borboletas voando alto, vento forte no rosto, e que isso não seja possível apenas nos sonhos, porque se for, prefiro passos distraídos.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

"Ela e um bloco de anotações"


Hoje quando acordei havia um bloco de anotações encima da minha escrivaninha, colorido e todo rabiscado.
Ela passou no meu quarto enquanto eu dormia pesado e sonhava o que mais queria viver, e claro que me deixou as anotações que me prometera da última vez, Ela sabia que precisaria disso mais do que nunca.
Passei a manhã inteira lendo o que aconteceu desde a última vez que nos falamos, fiquei surpresa quando li um trecho que dizia ‘os desejos adiados, são intensos e não encantados, a espera pula a introdução’, pois é, o que há tempos rondava seus sonhos agora era fato, a minha menina cresceu.
Os seus fantasmas de assustadores já não têm nada, são quase companheiros, Ela aprendeu lhe dar com os seus ‘gigantes’, e até os desafiam.
Quanta coisa subentendida encontrei em um cantinho rabiscado de uma folha quase sem espaço, ‘naquela sexta feira chorei até pegar no sono, pensei no futuro, pensei no passado que insiste em ser presente, pensei, pensei, pensei tanto que me cansei, dormir sem intervalos, e no dia seguinte não acordei com os olhos inchados, mas despertei de cara nova’, a minha menina não é mais a mesma.
Ela nunca tinha escrito tanto, dessa vez resolveu viver muito mais que sonhar, não deixou páginas em branco, escreveu sem parágrafos pra não perder espaço, decidiu não ter remorso e viver os prazeres não permitidos até então, Ela decidiu ser grande por fora, exatamente como por dentro.
E quando eu tiver coragem o suficiente, eu termino de ler aquele bloco, porque até então não consegui nem metade, mas já posso garantir, Ela já não é mais menina, e tudo aquilo não são apenas anotações.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Caminhos

E os caminhos tive que escolher...
Assim como os amigos, o curso, o filme, o sabor da pizza...
Queria eu ter a certeza onde esses caminhos acabam, ou o que me espera ao longo do percurso, das pessoas que vou encontrar, das que vou perder, das escolhas erradas e das certeiras, das conquistas e dos ‘fracassos’.
Queria não sentir medo, há pontos escuros e não dá pra enxergar onde pisar, tudo é tão imprevisível, inseguro tanto quanto eu.
Queria ter uma mão segurando bem forte a minha, assim como quando era criança pra atravessar a rua, mas sei que preciso aprender andar sozinha.
Queria acreditar que os meus heróis estarão a postos, quando soltar o grito de socorro.
Queria enxergar uma placa ‘vire à esquerda’ quando tiver caminhos a escolher.
Queria mais certezas, menos riscos, mais segurança e menos medo.
Queria ser mais corajosa e menos ‘menina’.
Queria não pensar tanto como vou começar, mas ir em frente sem temer tanto o fim. (Se lembra?)
Quero seguir sem recuo.
Quero seguir sem pesar.
Quero seguir sem pensar quais os 'meios de transporte'.
Quero seguir, só isso.
Eu escolhi seguir...

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Procuro-me

Em meio às tardes vazias e as noites mal dormidas...
Procuro respostas!
Nos sonhos interrompidos e nos amores mal resolvidos...
Procuro saídas!
Nas risadas forçadas e no choro contido...
Procuro disfarce!
Nas atitudes impensadas e nas frases incertas...
Procuro mudança!
Nas lembranças vagas e nas fotos envelhecidas...
Procuro amigos!
Nas folhas em branco e nos dias perturbadores...
Procuro descarrego!
No tempo que voa e na lentidão dos dias...
Procuro ação!
Na ausência física e na memória embargada...
Procuro esquecimento!
No momento certo e com o coração livre...
Procure-me!
Nos dias rotineiros e nas noites imaginárias...
Procuro-me!