quarta-feira, 21 de abril de 2010

'Faz de conta'


Tenho medo de mim.
Tenho medo de descobrir quem sou de verdade.
Tenho medo dos personagens que criei.
Tenho medo que eles se tornem reais e eu me perca mais ainda, que eu perca o controle.
Tenho medo de assumir o que levo aqui dentro.
Tenho medo das minhas cicatrizes, e da dor que eu me convenci que passou.
Tenho medo de perder as minhas cores, medo de ser preto e branco, neutra.
Tenho medo de saber que aquilo não era pesadelo, mas um sonho que eu não soube lidar.
Tenho medo que o meu coração retumbando dentro do peito, se cale sem ser entendido.
Tenho medo de perder a minha inocência e os resquícios do ‘meu’ conto de fadas.
Tenho medo de não viver e que os meus sentimentos, desejos, sensações sejam apenas o que vi através do meu filme predileto, do meu livro de romance, daquela letra de música, ou de uma história que não protagonizei.
Tenho medo de não nunca mais encontrar, aquilo eu mesma fiz questão de esconder, seja numa caixa de recordações, nas lembranças ou no ‘pior’ lugar de se procurar algo, no labirinto que construí lentamente aqui dentro.
Tenho medo do escuro, do que pode ter dentro do meu armário, ou debaixo da minha cama.
Tenho medo, muito medo.
Mas faz de conta que eu sou corajosa.

sábado, 3 de abril de 2010

'De portas abertas'

‘Qualquer sentimento é bem vindo’...
Foi a conclusão que cheguei em mais um daqueles dias chuvosos, céu cinza, melancolia dominante, e pensamentos a 200 km/h, descobri que triste mesmo é não sentir...
Não sentir as lágrimas escorrendo no rosto de saudade, porque essa só surge de bons momentos que passaram como tudo na vida.
Não sentir o coração disparado quando os meus olhos encontram o que mais queria enxergar, mesmo sabendo que pode não ser pra sempre.
Não sentir as pernas trêmulas e as mãos suando frio quando o coração dá sinal de que algo novo está chegando a um coração ‘fechado pra balanço’.
Não sentir medo de nunca mais ver aquele rosto depois de uma despedida, e dias após sentir novamente o seu abraço forte, o seu cheiro inconfundível e ter a certeza de que ‘ele’ voltou.
Não sentir depois de tempos de lutas, incertezas e dores, o corpo vibrar de alegria por não ter desistido.
Não sentir a felicidade nos olhos de alguém, que não te via há algum tempo, e só aí você se dá conta do quanto às pessoas te amam exatamente como você é, ainda que por muitas vezes ‘ausente’.
Não sentir arrependimento, e apesar de ter errado tanto, ser perdoado e levar aquela lição até o final dos seus dias.
Não sentir tamanha solidão, ao ponto de achar que é último dos mortais, e aquele melhor amigo deixa de ir há um compromisso importantíssimo pra te fazer companhia sem ao menos saber de como se sentia naquele dia.
Eu não senti dúvidas ao abrir as portas pra todos os sentimentos, as suas possibilidades, ‘imperfeições’, surpresas, intenções, arremates, cores, disfarces e ‘limites’!
Sintam-se em casa!
Sintam-se livres e supreendam-me!