sexta-feira, 30 de agosto de 2013

'É tempo de voar'



E hoje sinto que o ninho está vazio e frio.

E por mais que seja dolorido lhe dar com a ausência, vem aquele orgulho do tamanho do mundo, por saber que não será pela falta de coragem que deixaram de voar.

E assim, já devia ter me acostumado que os filhotes uma hora ou outra precisam se arriscar pelo céu. Encher o peito de ar e voar, sem se preocupar se logo a frente tem um abismo ou um lugar seguro para o pouso.

Talvez eu não esteja por perto para recebê-las com um longo e caloroso abraço, quando o céu estiver nublado e a noite fria.

Talvez também não esteja nos dias de céu colorido.

Mas aí, me lembrei de que todo o amor, cumplicidade, companheirismo e a amizade, estarão sempre em lugar seguro.


Voem, porque o céu foi feito pra quem tem a coragem e ousadia de voar! 

quinta-feira, 2 de maio de 2013

'Sem vendas'


Quero abrir os olhos e ver o sol posto.

E em um céu azul alçar meu voo como um pássaro, que com uma leveza indescritível, dança ao ritmo do vento.

Quero abrir os olhos e ver a vida mais suave.

Sem obrigações em meu sorriso, desejo uma verdade permanente e contagiante.

Quero abrir meus olhos e ver pessoas doces.

Que a rotina, decepções, fracassos ou perdas, não roubem os sonhos, as cores das manhãs, nem tornem os dias amargos.

Quero abrir meus olhos e ver alegria irradiando.

Que os  amores inteiros aconteçam e o caminho seja sempre florido e perfumado, exatamente como nos contos.

Quero abrir os olhos e ver pureza.

Com ruas repletas de pessoas livres, de coração aberto e limpo como quem acaba de nascer.

Quero abrir meus olhos e ver outros olhos.

Vivos e sem lágrimas, como quem encontra em um abraço, um porto,  um abrigo, uma parada.

Quero abrir meus olhos com a coragem de quem vai salvar uma vida, sem o medo de quem acaba de ser assaltado e sem as reservas de quem teve um coração ferido.

segunda-feira, 11 de março de 2013

É chegado 'O' tempo!




Enquanto escrevo esse texto, ouço Teatro Mágico e vem aquela avalanche de lembranças boas de um tempo que não volta mais, aí também vem a insegurança, o mini pânico de ter 24 anos e uma terrível crise que no próximo ano serão 25.

É aquela velha história que ouvi da minha avó, mãe, irmãs e que com certeza meus filhos ouvirão de mim. Sim, é verdade, os  amigos (assim como eu cresceram) vão se casar, não vão ter tanto tempo de passar a noite jogando papo fora, as festas de aniversário começam a ficar menos emocionantes sem um banho de ovos na saída da escola, sem as festinhas surpresas ou aquela ligação que te faz chorar o resto do ano.

E pra isso não tem remédio, não adianta espernear, chamar a mãe ou a irmã mais velha para te ajudar, esqueceu, você já tem 24 anos Ana! Estamos sem tempo para o Show da Xuxa (aliás ela é loira, coisa que você já está bem perto disso, rs) ou as historinhas e músicas fofas do Patati e Patatá ou Galinha Pintandinha, que na sua época era um ‘Atirei o pau no gato’ e olhe lá!

Mas, mesmo depois dessa crise de quem acaba de ter a noção que a sua idade equivale a quase 1/4 de século (isso é muiiiiito tempo), me transbordo de felicidade, porque tem tantas coisas boas que o tempo trás, que não trocaria por todas as delícias dos meus 15 anos.

Nesse tempo, descobri que algumas amizades você vai usufruir verdadeiramente até o centenário.

Que amor de Pai e Mãe, dói. É demais, intenso, indescritível e que sim, eles estavam certos o tempo todo.

Que os ‘nãos’ da vida realmente não matam, mas ensinam muito mais que todos os ‘sins’ juntos.

E que as escolhas corretas só acontecem quando você está preparada emocionalmente, espiritualmente e com o coração tranquilo!

Desejo mesmo, que o sorriso cresça dia a dia, que o colo dos amigos estejam disponíveis, o abraço dos meus pais esperando por mim (impreterivelmente), Deus na direção de tuuuuuudo, as minhas irmãs completando a alegria dos meus dias, que sempre se encerram com as nossas risadas no sofá da sala (mas nem me importaria se estivéssemos casadinhas e isso acontecesse ocasionalmente, afinal, essa família está precisando de algumas figuras masculinas, rs).

Que a vida seja linda, exatamente assim, como sempre foi! Tudo no seu tempo, sem pressa e aproveitando cada vento que bate no rosto, e que eu possa senti-lo até quando nesse rosto, tenham muitas rugas e meus netos peçam pra que eu repita tudo isso, sentados aos pés de uma cadeira de balanço.
Bem vinda Ana, esse é o tempo do seu milagre!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

'Debaixo d'água'



Não seria eu, se não fosse profundo demais.
Não me acostumei com os mergulhos rasos, mas sempre me esqueço que o ar me falta.
E assim, prendo a respiração e me jogo, mesmo que com o coração acelerado e sem saber nadar.

Lembra Ana, você não está imune aos 'afogamentos'.
Não! Em sua grande maioria, só me lembro disso, quando a volta se torna longa demais e a respiração ofegante.
Preciso de salva-vidas, boias e sabe se lá o que mais. Na verdade, acho preciso de coragem!

Coragem pra deixar as 'águas' e pisar em terra firme.
Coragem pra encher esse corpo de poeira e dá uma sacudida e seguir, simplesmente.
Coragem pra deixar de ficar submersa e dá a cara a 'tapa'.

Coragem, coragem, coragem!
Mas enquanto isso, é hora de dar um mergulho!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

'É assim que eu vou'



Vou me adequando, me ajeitando, me moldando.
Vou disfarçando, esquivando, desgostando.
Vou sorrindo, refletindo, fingindo.
Vou calada, extasiada, engasgada.
Vou cansada, arrastada, enjoada.

Mas, já que o carnaval chegou, vou de máscara!