Sou do tipo que lê tudo, outdoor, bula de remédios, etiquetas, as letras miúdas dos panfletos, dezenas de prefácios, manual de instruções, modo de usar e quando posso, tenho a louca mania de cantar uma música para cada palavra que vejo no caminho.
Mas outro dia li em algum lugar uma frase que não me fez encontrar uma música sequer pra dar um pouco de leveza à aquele caminho que parecia maior do que de costume ou que me arrancasse apenas um sorriso discreto que por vezes dou quando me pego cometendo minhas loucuras.
A frase dizia apenas que ‘paixão é passarinho e amor é ninho’.
Foi a analogia mais sensata que cruzou os meus olhos curiosos nos últimos tempos, concordei tanto com aquilo que de repente percebi que nessa vida literalmente nunca tive paradeiro, ainda que por diversas vezes tenha me sentido 'aninhada'.
Já voei tão alto que sequer pensaria em ter os pés no chão (ou no ninho), criei coragem a tal ponto, que a altura me parecia um lugar seguro, doce ilusão da paixão. Um dia as asas se cansam, o frio na barriga vai se aquecendo e é preciso muito mais que toda aquela imensidão.
É preciso encontrar a mesma adrenalina do voo no pouso, é necessário que em cada batida das asas o coração bata mais forte fora do peito, quem sabe lá no ‘ninho’, é melhor quando toda aquela liberdade não faça o menor sentido porque tem tantos motivos maiores pra ficar, pra voltar, pra aquietar, pra acalmar, pra aninhar-se...
No vôo tantas incertezas, no ninho tanto amor!
